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MATO GROSSO QUER SER O PRIMEIRO ESTADO A REALIZAR A COMPARTIMENTAçãO DE SUíNOS NO BRASIL

MATO GROSSO QUER SER O PRIMEIRO ESTADO A REALIZAR A COMPARTIMENTAçãO DE SUíNOS NO BRASIL

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  • Publicado em: 17/02/2017
  • Por: Ícone Press

Mato Grosso tem o intuito de ter o primeiro projeto de Compartimentação de Suínos do Brasil. O assunto foi discutido nesta quinta-feira (16.02), no evento “Compartimentação de suínos, uma realidade para o Mato Grosso", por suinocultores mato-grossenses, a Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em Cuiabá.

 

O conceito compartimentação é definido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), a fim de certificar uma sub-população animal com um status sanitário diferenciado para uma ou mais doenças específicas. Este sistema de produção oferece garantias adicionais a outros processos de certificação que já existem, como por exemplo, a regionalização, favorecendo a oferta de produtos suinícolas e o comércio seguro entre os países, ainda que ocorram eventuais surtos dessas doenças.

 

De acordo com o diretor do Departamento de Saúde Animal do MAPA, Guilherme Marques, a compartimentação é transformar e aperfeiçoar o que as grandes empresas suínicolas já fazem no que diz respeito a integração de suínos de uma maneira documental e auditável, e que permita o acompanhamento de perto por parte das autoridade nacionais e internacionais. E consequentemente para que ocorra uma validação, que demonstra que  é uma área livre de  Peste Suína Clássica (PSC) e Febre Aftosa, mas com um diferencial sem o uso da vacina.

 

“Ou seja, ser reconhecido por meio de compartimento como livre de febre aftosa sem vacinação. O que abre novos mercados para a suinocultura e blinda o sistema produtivo da suinocultura industrial para estarmos preparados caso uma eventual crise sanitária ocorra em algum momento no estado ou país. Exemplo disso, é o Japão que passou quase um século sem febre aftosa até que o vírus entrou no país”, pontuou.

 

O processo de implantação da compartimentação é de 12 a 18 meses e necessita da participação de produtores, setor privado e setor público. “Para que a gente inicie o processo é preciso que setor privado, e o próprio estado de Mato Grosso, em especial o Indea/MT manifeste interesse de participar no projeto, e que tenha acompanhamento da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e coordenação do Ministério da Agricultura em especial o Departamento de Saúde Animal. Uma vez isso oficializado, vamos estabelecer um grupo de trabalho para que possamos identificar os fatores de risco dentro de uma granja, frigorífico, fábrica de ração e todo o sistema que está englobando nesse compartimento para que se estabeleça medidas de segurança compatíveis a evitar eventual entrada de um vírus da PSC ou Febre Aftosa”, explicou.

 

O suinocultor, Reinaldo Moraes, um dos instigadores do encontro, demonstrou a vontade de fazer parte do projeto piloto de implantação da compartimentação em Mato Grosso.

 

“Essa foi uma decisão tomada em 2015, quando decidimos vir para o Mato Grosso e investir no Estado. Hoje temos 12.500 matrizes, o que representa cerca de 10% da produção de MT e pretendemos chegar a 30%, ou seja, triplicar nossa produção nos próximos anos. E vemos o projeto como algo inovador, que traz biosegurança, sustentabilidade, que pode não só fortalecer o nosso trabalho, mas também trazer novos mercados. E a impressão que tivemos nesse encontro é que todos estão interessados e se depender de nós já queremos a compartimentação em 2018”, afirmou Reinaldo Moraes.

 

O presidente do Indea/MT, Guilherme Nolasco, destacou que tudo que pode viabilizar investimentos para o desenvolvimento econômico e social do Estado é bem vindo. “Esse é um modelo novo de produção, que o setor produtivo quer implantar, o MAPA está trazendo as informações detalhadas e o Indea está de portas abertas para aprofundar a discussão e ver a viabilidade disso”, declarou.

 

Para o suinocultor, Paulo Lucion, a compartimentação é uma necessidade não só para abrir novos mercados, mas para não perder aquilo a cadeia já conquistou, como estado livre de PSC. “A gente sabe que em uma emergência sanitária não pode exportar nada do nosso Estado, e o Mato Grosso não é um consumidor de carne suína, então se acontecer algo, estamos nos prevenindo, garantindo o que já temos”, argumentou.

 

Mesma opinião do diretor executivo da Acrismat, Custódio Rodrigues, que ainda pontua que a suinocultura pode trabalhar de maneira diferente. “Mas para que isso aconteça é imprescindível que o setor privado e público trabalhem juntos. E a Acrismat entra como entidade de nível estadual que procura colocar a indústria, Ministério e Indea para trabalharem juntos no desenvolvimento da suinocultura mato-grossense”, disse.

 

Panorama da suinocultura – No evento ainda a diretora técnica do Indea/MT, Daniella Soares de Almeida Bueno, apresentou o panorama da suinocultura em Mato Grosso, que atualmente possui 2.279.171 cabeças, 475 granjas comerciais, 1.720.341 cabeças em granjas de tecnificação e 558.830 em criatório se suínos. Em 2016, 2.368 suínos foram abatidos no estado e 6.392 suínos foram exportados para reprodução genética para o Rio Grande do Sul, Argentina e Paraguai. Além disso, ela apresentou o programa de sanidade suína do Indea/MT, que no ano passado vistoriou 2.188 propriedade e 90.612 suínos.

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